SP-Arte: Vestidos raros de Mira Schendel desembarcam no Brasil, na galeria MaPa
Por Orlando Margarido Ao ouvir a reclamação de uma amiga que não tinha vestido para comparecer a um casamento, Mira Schendel (1919-1988) desenhou, executou um modelo e o deu de presente a ela. Como compete a uma artista afeita a experimentações e quebra de paradigmas, não causa surpresa a peça ter provocado controvérsia nas bodas […] O post SP-Arte: Vestidos raros de Mira Schendel desembarcam no Brasil, na galeria MaPa apareceu primeiro em Harper's Bazaar » Moda, beleza e estilo de vida em um só site.


Fotos: Kessia Riany; Styling: Carolina Domingos; Modelo: Julia Barucci (Bossa MGT); Beleza: Erika Livran; Direção de arte: Yasmin Klein
Por Orlando Margarido
Ao ouvir a reclamação de uma amiga que não tinha vestido para comparecer a um casamento, Mira Schendel (1919-1988) desenhou, executou um modelo e o deu de presente a ela. Como compete a uma artista afeita a experimentações e quebra de paradigmas, não causa surpresa a peça ter provocado controvérsia nas bodas pela transparência para além da norma social. Essa é uma das histórias que podem justificar o interesse da suíça radicada no Brasil em alçar o vestuário ao patamar de arte. Uma breve experiência, acredita-se, pois hoje se conhece apenas cinco desses trajes, produzidos entre 1975 e 1980. “Pode-se pesquisar, e não se acha referências às obras, porque estamos falando de obras de arte, como qualquer outra série da Mira”, diz o galerista Marcelo Pallotta. Entre 2019 e 2002, o proprietário da galeria MaPa conseguiu reunir três dessas raridades e irá expô-las em seu estande da SP-Arte, entre os dias 2 e 6 de abril, no Pavilhão do Ibirapuera.
É a primeira vez que os trajes são exibidos e postos à venda no Brasil desde que Pellotta os adquiriu do espólio da galerista Mônica Filgueiras, falecida em 2011. No exterior, as peças integraram a seleção da galeria na feira Frieze Masters, em Londres, em 2022, em pareceria com o britânico Paul Hughes. São assinadas como “Mira”, em letras pequenas e com discrição, fato raro quando se trata de suas obras. A padronagem, realizada na técnica de batik e bordados feitos diretamente no tecido, segue de evidentes elementos geométricos, típicos de sua produção em outros suportes, a uma influência da arte pré-colombiana e dos povos originários brasileiros. “Como, na feira londrina, colocamos os vestidos lado a lado com obras pré-colombianas, os visitantes ficavam espantados quando descobriam que se tratava da autoria de uma artista moderna”, lembra Pallotta.

Fotos: Kessia Riany; Styling: Carolina Domingos; Modelo: Julia Barucci (Bossa MGT); Beleza: Erika Livran; Direção de arte: Yasmin Klein
Na trajetória da arte brasileira, não é excepcional a criação de obras de arte vestíveis. Uma das iniciativas mais reconhecidas da vertente, com forte caráter publicitário, foi a coleção Rhodia. Entre 1960 e 1970, a indústria de fios sintéticos encomendou a artistas padronagens para peças únicas e, assim, promover a marca. Cerca de vinte nomes, como Hércules Barsotti, Volpi, Carybé e Aldemir Martins, assinaram mais de 150 modelos. Trata-se do mesmo período em que se encontram as primeiras alusões à wearable art, em seguida popularizada nos Estados Unidos. Pallotta ressalva que a pequena contribuição de Schendel não parece se encaixar em nenhuma dessas iniciativas, embora se possa supor terem sido consideradas tais referências como inspiração. É na sua própria produção variada em técnicas e suportes que talvez resida a razão de experimentar a nova modalidade.
Na década anterior, em projeto retomado nos anos 70, a artista se dedicou à série batizada de Bordados, realizada em tinta de aquarela ecoline sobre papel de arroz. Chama atenção o padrão similar a elementos repetitivos de fonte geométrica. Uma das poucas citações entre estudiosos reafirma, no entanto, que o lote se caracteriza mais pelo apelo informal de histórias como a do casório.
Para o crítico Rodrigo Naves, em ensaio do livro O Vento e o Moinho (2007), “Mira tinha verdadeiro prazer em manusear as coisas, fosse para realizar trabalhos de arte ou para confeccionar objetos utilizáveis no dia a dia. Ela pintava tecidos para vestidos das amigas, fazia algumas de suas roupas, tricotava bastante, bordava e falava dessas atividades no mesmo tom em que falava de suas obras.”

Fotos: Kessia Riany; Styling: Carolina Domingos; Modelo: Julia Barucci (Bossa MGT); Beleza: Erika Livran; Direção de arte: Yasmin Klein
Créditos: Coordenação Mariana Simon/ KM Studio produção executiva Zuca Hub produtora responsável Claudia Nunes assistente de foto Francisco Terra assistente de produção Caio Nogueira camareira Iara Corrêa
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