Com Michelle Williams, “Dying for Sex” subverte narrativas sobre o câncer com humor

A escritora Elizabeth Meriwether chorou, riu, se encolheu de vergonha — e se apaixonou por uma história impossível de não tocar o coração. O que começou como uma simples indicação de uma amiga produtora acabou se transformando em Dying for Sex (Morrendo por Sexo, em tradução livre), série criada por ela ao lado de Kim […] O post Com Michelle Williams, “Dying for Sex” subverte narrativas sobre o câncer com humor apareceu primeiro em Harper's Bazaar » Moda, beleza e estilo de vida em um só site.

Apr 4, 2025 - 16:36
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Com Michelle Williams, “Dying for Sex” subverte narrativas sobre o câncer com humor

Michelle Williams no papel de Molly; Imagem do episódio 2, chamado “Masturbação é importante” (Foto: Sarah Shatz/FX)

A escritora Elizabeth Meriwether chorou, riu, se encolheu de vergonha — e se apaixonou por uma história impossível de não tocar o coração. O que começou como uma simples indicação de uma amiga produtora acabou se transformando em Dying for Sex (Morrendo por Sexo, em tradução livre), série criada por ela ao lado de Kim Rosenstock (sua parceira desde os tempos de New Girl) será exibida a partir do dia 4 no Brasil, no Disney+. A mistura entre humor e tristeza, conta Elizabeth, foi o que mais a encantou: “A complexidade das emoções me pegou de jeito”.

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Baseada no podcast homônimo, a trama acompanha Molly (Michelle Williams), uma mulher de 40 e poucos anos que, ao descobrir que seu câncer de mama voltou em estágio terminal, decide não morrer sem antes viver — com intensidade. Entre encontros casuais, gargalhadas com a melhor amiga (interpretada por Jenny Slate) e reflexões sinceras sobre prazer, identidade e autonomia, a série desconstrói os clichês típicos de narrativas sobre doenças. E faz isso com coragem, leveza e uma boa dose de libido. O sexo, aqui, é fio condutor — não como provocação gratuita, mas como expressão de uma urgência: a de encarar o desejo sem pudor, mesmo (ou justamente) quando se está diante da morte.

Ao ouvir o podcast pela primeira vez, Kim também se surpreendeu. A ideia de uma mulher enfrentando uma doença terminal enquanto vivia um despertar sexual parecia inédita — e urgente. “Quase nunca vemos juntas, na mesma história, mulheres de 40, sexualidade, corpo e saúde. Era hora de mudar isso.”

Da esq. para a dir.: as roteiristas Elizabeth Meriwether e Kim Rosenstock (Fotos: Divulgação e Jason Rothenberg)

Na ficção, Molly encara seus limites com bravura. Já na vida real, as criadoras admitem: talvez não fossem tão ousadas assim. Elizabeth a vê como uma heroína. Kim, por sua vez, acredita que cada pessoa encontra um jeito de se sentir viva — seja pulando de paraquedas, seja explorando a própria sexualidade. “O importante é descobrir o que te dá alegria — e isso muda de pessoa para pessoa.” O que parecia uma adaptação simples — “Dá pra escrever em uma semana”, chegaram a brincar — levou cinco anos para ganhar corpo e chegar à TV. A estrutura do podcast, ainda que parecesse direta, escondia desafios. “Na série, precisávamos traduzir visualmente o que no podcast era contado só depois. Era como materializar o íntimo.”

Para isso, recorreram a recursos como voice-overs, sequências de fantasia e momentos estilizados — artifícios que ajudavam a mostrar como Molly estava se curando emocionalmente enquanto se entregava a novas experiências. Algumas ideias ficaram pelo caminho, como a cena em que Molly faz cócegas em um homem até que ele atinge o orgasmo. “Era hilária, mas não conseguimos filmar por falta de tempo”, lamenta Elizabeth.

A adaptação exigiu também liberdade criativa. Muitos personagens foram compostos a partir de fragmentos de histórias reais — “Frankensteins”, como elas definem. É o caso do vizinho (interpretado por Rob Delaney) com quem Molly desenvolve uma conexão afetiva, inspirado em vários encontros vividos por ela. Nikki, que no podcast era apenas a entrevistadora, ganhou uma trajetória própria na versão televisiva.

Jenny Slate interpreta Nikki, a amiga da protagonista (Foto: Sarah Shatz/FX)

E para dar vida à protagonista, havia um nome em mente desde o início: Michelle Williams. Quando a atriz ouviu o podcast, leu o roteiro e quis conhecer as criadoras, o entusiasmo virou nervosismo. Mas bastaram os primeiros minutos da conversa para que elas percebessem: ninguém melhor para encarnar essa jornada de dor e prazer. “Ela tem uma energia vital muito forte, quase radiante. Equilibra humor com profundidade emocional. Foi emocionante acompanhá-la em cena.” Para traduzir visualmente essa complexidade emocional e íntima, a equipe apostou em uma coordenadora de intimidade — em uma cena, até duas — para garantir que tudo fosse retratado do ponto de vista de Molly, com respeito e cuidado. “Isso foi central desde o início”, reforça Elizabeth.

No fim, Dying for Sex não é só uma série sobre sexo ou sobre câncer — é sobre viver. “Acho que a série é sobre muitas coisas”, diz Elizabeth. “Uma delas é expandir a conversa sobre sexualidade — tirar a vergonha, questionar o que é ‘normal’. Mostrar que não existe um único jeito de viver o desejo.” Kim completa: “Queríamos mostrar que a doença não define ninguém. Molly ainda busca conexão, prazer, vida. Isso é importante: não reduzir uma pessoa ao diagnóstico. Mais do que isso: dar voz a quem se sentia sozinha dentro da própria comunidade oncológica. Esperamos que a série ajude a mudar isso.” Nós também.

Michelle Williams e Jay Duplass, que vive Steve (Foto: Sarah Shatz/FX)

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