Confira a segunda edição da coluna Le Grand BAZAAR
Por Cibele Maciet, de Paris Olá, caro leitor da BAZAAR, neste mês de abril — com a tão esperada chegada da primavera na Europa, da Páscoa e da vida que renasce sob todas as formas — a segunda edição da Le Grand BAZAAR aterrissa com novidades direto do front parisiense: encontros com Louis XIV, Lacroix, […] O post Confira a segunda edição da coluna Le Grand BAZAAR apareceu primeiro em Harper's Bazaar » Moda, beleza e estilo de vida em um só site.

Por Cibele Maciet, de Paris
Olá, caro leitor da BAZAAR, neste mês de abril — com a tão esperada chegada da primavera na Europa, da Páscoa e da vida que renasce sob todas as formas — a segunda edição da Le Grand BAZAAR aterrissa com novidades direto do front parisiense: encontros com Louis XIV, Lacroix, Picasso, a querida Sonia Blota e um match point antes mesmo de Roland Garros. Conto tudo isso diretamente do Marais, na capital francesa, que chamo de casa há quinze anos. Porque, afinal, tout commence à Paris. Curieux(se)? Écris-moi: @cibelemaciet
Versailles, eu vim

Le Grand Banquet de Versailles / Foto: Arquivo pessoal
No mês passado, fui convidada para um evento ultraexclusivo: o Grand Banquet de Versailles, dentro do Le Grand Contrôle, propriedade da coleção francesa Airelles — o único hotel do mundo instalado dentro do Château de Versailles. Velas, prata, candelabros e silêncios coreografados: aqui, o chef-mestre Alain Ducasse recria o que poderia muito bem ser o prime time de Louis XIV. Quatro vezes por ano, o chef troca seu menu conforme as estações — e com ele, toda a mise-en-scène do jantar. É uma experiência imersiva, estrelada, com lugares limitados, onde o tempo desacelera e a corte volta a respirar. Tudo começa no Salon d’Audience, com um drink. Depois, o jantar é servido como um balé: atores interpretam personagens de época, músicos tocam As Quatro Estações de Vivaldi, e pratos que parecem pequenas óperas chegam à mesa em sequência — entradas, principais, sobremesas — tudo pensado para fazer o paladar se curvar. É Versailles, sim. Mas com trilha sonora, menu e encenação sob medida para o agora. Chique, exclusivo — e, honestamente? Tenho certeza de que nasci na época errada.
Christian Lacroix entra em cena – e que cena!

Figurino de Marcelle Paillardin para a peça L’Hôtel du Libre-Échange, 2019 / Christian Lacroix / Cedido pela Comédie-Française / Foto: Divulgação
O Centre National du Costume et de la Scène, em Moulins, na França, promete um 2025 digno de aplausos. Em fevereiro, o local abriu duas novas salas permanentes sobre a história do figurino — de Lady Macbeth vestida por Thierry Mugler à cerimônia de abertura dos Jogos de Paris. Em abril, quem entra em cena é Christian Lacroix, com uma megaexposição intitulada Christian Lacroix et la scène, que percorre seus figurinos para teatro, ópera e dança. São mais de 120 peças, croquis e memórias de bastidores. De quebra, o museu lança sua própria coleção editorial homenageando Patrice Cauchetier, mestre dos palcos. Figurino tem alma — e o CNCS sabe contar essa história. Se vier para a França, não deixe de visitar – a exposição acontece de 5 de abril de 2025 a 4 de janeiro de 2026.
Picasso, flores & leilões: Drouot sai do script

Pablo Picasso, Quatro touros no campo, 1957 / Coleção Yolande e Lucien Clergue / Leilão em 10 de abril – Ader / Foto: Divulgação
Para celebrar o Salon du Dessin, o Hôtel Drouot convida a diretora criativa da A.P.C., Judith Touitou, para assinar a instalação Trait et Feuille — uma fusão improvável (e deliciosa) entre arte e arranjo floral, com a colaboração do artista-botânico parisiense Debeaulieu. Em cartaz de 25 a 29 de março, a mostra exibiu desenhos de nomes de peso como Le Parmesan, Picasso, Christo, Balla, Uderzo e Venet. Tudo no hall da casa de leilões mais icônica de Paris. A boa notícia? As obras estão à venda a partir desse mês, com lances estimados entre 10 mil e 80 mil euros. Arte, moda e flores? Drouot acertou o arranjo.
Soy latino-americano e nunca me engano

Da esq. para a dir., no alto: Ana Sonderéguer; abaixo: Paula Forteza; à dir.: Inés Rueda.
A galeria de arte Artivistas, hotspot latino do 19º arrondissement de Paris, agora também é escola. Fundada por Paula Forteza — ex-deputada franco-argentina, ativista ecológica e feminista —, o espaço – que abriga um café super cool – propõe oficinas semanais de bordado, tango, literatura, fotografia, yoga e mais, todas guiadas por artistas da América Latina, entre eles, Gabriela Larrea, Ruth Morelos e Matías Tripodi. A ideia é simples: fazer da arte uma prática cotidiana, política e sensorial. Com exposições mensais e um clima vibrante, a escola nasce como um manifesto criativo para tempos turbulentos. Inscrições abertas. Criação é resistência.
Delfino lança um épico amoroso delirante (com pitada brasileira)

Capa do livro L’Homme qui rêvait d’aimer, de Jean-Paul Delfino
O escritor francês especializado em musica, literatura e cultura brasileira Jean-Paul Delfino acabou de lançar uma pérola, L’homme qui rêvait d’aimer. O livro mistura folclore, aventura e delírio num romance que é pura febre literária. O protagonista? Um jovem brasileiro que atravessa continentes — e até a Lua — por um amor inatingível. Tem princesa enfeitiçada, libertinagem, música, pássaros falantes e silêncios cheios de sentido. Delfino, dono de uma prosa que dança, entrega aqui um conto épico sobre amar o impossível — e se perder lindamente no caminho. Saiu esse mês pela editora Hervé Chopin. Pra quem gosta de amor com exagero, ritmo e fantasia.
Tomie Ohtake take over Charentes

Minia Biabiany, Pawòl sé van [As palavras são o vento], 2020 / Vídeo em HD, 16:9, cor, som, 13 min / Foto: Divulgação
Na esteira da Temporada França-Brasil 2025, o Frac Poitou-Charentes e o Instituto Tomie Ohtake se juntam para uma mostra em dois atos — Águas Subterrâneas, que começa em Angoulême (maio a setembro de 2025) e depois segue para São Paulo (novembro de 2025 a março de 2026). A exposição mergulha em rios, memórias e territórios com obras de artistas como Julien Creuzet, Rastros de Diógenes, Marcos Ávila Forero e Luana Vitra. Tem carranca, caatinga, cabaça e colagens climáticas. Sem esquecer de política, pulsação e poesia. Um encontro entre arte e água, onde as margens não separam — mas convocam.
Noodle: do mar, com afeto

Noodle / Foto: Divulgação
Há poucas semanas, ganhei um presentão da minha amiga querida Ana Garmendia: um maiô branco divino da Noodle (vou usar branco, atrevida que sou!) A marca de swimwear, criada pela italo-brasileira Marcelle Ribeiro da Silva, é pura chiqueria. A designer, que trocou São Paulo por Roma, levou na bagagem a luz, as cores e o espírito do mar brasileiro. Dessa travessia, nasceu a Noodle — label feita de poucos gestos e muita intenção. As peças são leves, versáteis, pensadas para mulheres que gostam de se mover com liberdade, beleza e consciência. Produzida entre Roma e Milão, a grife carrega alma tropical e recorte europeu, com tecidos escolhidos a dedo e um compromisso real com o planeta. Noodle não segue tendência — ela desliza, como uma onda no mar. Conselho de insider: fique de olho nela !
HOA vira sociedade — e a arte vira horizonte

Igi Lolá Ayedun / Foto: Divulgação
Conheci a Igi Lolá Ayedun há uns quinze anos quando a artista passava uma temporada em Paris. O rio anda, e hoje, a agitadora cultural e ex-galerista lança a HOA Cultural Society: uma instituição sem fins lucrativos com o tipo de ambição que faz falta — formar, premiar e ampliar horizontes. Com base no Brasil e olhos no mundo, a HOA estreia em 2025 com bolsas para artistas racializados, escola de arte gratuita, residências internacionais e um prêmio só para mulheres. De quebra, Igi assina um pavilhão flutuante no Rio Pinheiros, que mistura arte, arquitetura e espiritualidade. Tudo com apoio do governo, do Institut Français e do próprio tempo — porque, se depender de Igi, o futuro já começou.
Alta Metallic Mota estreia em Milão — pura tensão entre forma e força

Alta Metallic Mota / Foto: Divulgação
Durante a Milan Design Week (de 7 a 13 de abril de 2025), no epicentro efervescente de GOOD SELECTION, Yury Goncharov lança sua Alta Metallic Mota — uma poltrona que parece menos móvel e mais manifesto. Inspirada em Newton, feita para orbitar espaços contemporâneos, a peça reflete (literalmente) o mundo ao seu redor com um acabamento cromado quase alucinatório. Esculpida à mão, finalizada em oito semanas de obsessão artesanal por Joel Hatherley, a Mota captura o giro da Terra e transforma energia invisível em design palpável. Arte? Mobiliário? Ficção científica? Não importa. Ela chegou — e não passa despercebida.
Match point: A.P.C. entra em quadra com a ASICS
Collab à vista ! Quando minimalismo francês e tecnologia japonesa se encontram — o jogo é bonito. A A.P.C. (uma de minhas marcas parisienses preferidas) acaba de firmar parceria com a ASICS para lançar sua primeira coleção inspirada no tênis, dentro e fora das quadras. A collab chega hoje nas lojas – a tempo para o circuito europeu de tênis! -, com um mix impecável de performance e estilo: silhuetas limpas, paleta azul e branco e cortes que evocam o esporte com elegância setentista. Tem vestido com sobreposição à la kasane, tênis com pegada shibori, e acessórios pensados até o último elástico. A estrela? A Tote Raquette em denim orgânico japonês. Judith Touitou chama de gesto puro. A gente chama de game, set, match.
Hermès nos lábios: menos batom, mais estado de espírito
Depois de redefinir a beleza das bocas em 2020, a Hermès não para, não para, não para. O novo Rouge Brillant Silky, transforma o brilho em gesto. Nada de contorno milimétrico ou manual de aplicação — aqui, a boca é livre. O objeto, desenhado por Pierre Hardy, é longo, fino, recarregável e vem dentro de um pochon vermelho H. A fórmula: 85% de ingredientes naturais, brilho de seda, zero pressão. Os tons? De clássicos como Rouge H e Amazone a invencionices como Rose Gélatine e Orange Flash — todos com nomes que parecem saídos de um romance de verão. Hermès não lança um batom. Ela lança um clima.
Monocle em Paris: espresso, impresso e elegância

Monocle Paris / Foto: Divulgação
Demorou, mas chegou. A Monocle abriu sua primeira boutique-café em Paris, no 2º arrondissement — e como era de se esperar, tudo é perfeitamente editado: café da Ten Belles, sandos do Yabaï, vinhos naturais e uma seleção de revistas e objetos perfeitamente escolhidos. Tem também collabs exclusivas com marcas francesas como Charvet, Papier Tigre e Savon de Marseille, e um espaço assinado pela Kann Design onde até o silêncio tem sotaque editorial. Funciona das 8h às 22h, todos os dias. Paris ganhou um novo lugar para pensar and strike a pose.
Merci, agora em dose dupla

Loja Merci na rur Richelieu / Foto: Divulgação
Faz 16 anos que a Merci entrou na vida dos parisienses — e na nossa — com aquele mix raro de sensibilidade, estilo e olho afiado. Desde então, o número 111 da boulevard Beaumarchais virou parada obrigatória (sim, aquela mesma com o Fiat 500 vermelho parado no pátio). E pra quem já era fã, agora tem dose dupla: a loja-conceito acaba de ganhar uma segunda filial, no número 19 da rue de Richelieu. Uma antiga agência dos correios repensada em modo caos criativo — foram dois anos de obras e ideias até tudo entrar nos eixos. O resultado? Uma nova Merci: fiel à essência, livre na forma. Tem até o mesmo carro — mas, dessa vez, fixado no muro.
A pantera em cena
Não vou esconder: a Cartier é a minha marca preferida de relógios. E sua popularidade só cresce, especialmente no mercado americano — dizem que já desbanca até a Rolex, talvez porque Kylie Jenner passou a usar a marca frequentemente depois de engatar o romance com o darling Timothée Chalamet. O fato é que morri com a nova versão da Panthère, apresentada este mês na Suíça, durante a Watches & Wonders. O relógio-joia mais emblemático da label reaparece em versões ainda mais preciosas. As pulseiras ganharam fluidez e brilho com graduações de diamantes, enquanto o desenho da pantera se abstrai em esmalte e espessartitas. A Cartier reafirma: a relojoaria também é território da sedução. E a pantera, como sempre, dita as regras!
L’objet du désir – a escolha que faz oh là là!

Bracelete Fil de la Vie, da Vanrycke / Foto: Divulgação
Conheci a charmante franco-portuguesa Lise Vanrycke há mais de uma década, numa das fashion weeks parisienses da vida. Foi amor ao primeiro contato — Lise é daquelas joalheiras que falam com a alma, com brilho nos olhos ao contar sobre suas criações e sobre a Vanrycke, marca que fundou em 2000. Ouro, diamantes e um traço francês que sabe exatamente quando parar. Suas peças têm aquela beleza que só funciona em quem não está tentando impressionar — deslizam pelo corpo como se sempre tivessem estado ali. Feitas em Paris, claro, e pensadas para quem usa joia como quem veste uma camiseta branca: com naturalidade, sem esforço. Chic, sem legenda. Entre as novidades, vale citar o bracelete Fil de la Vie, que parece traçado à mão livre; o delicadíssimo colar Skin Tattoo, que fica entre joia e desenho; os pingentes Lettrines, que transformam letras em amuletos. Não poderia deixar de citar o meu favorito absoluto de todos os tempos: o Mono Boucle Coachella em ouro rosa 18 quilates, tamanho XL — uma peça só, mas com presença de sobra.
O personagem extraordinaire do mês

A querida Sonia Blota e eu num café do Marais / Foto: Arquivo pessoal
Encontrei essa bola de energia que é a Sonia Blota dia desses, no Marais. Instigante, cheia de ideias e incansável, a correspondente da Band em Paris fez um vapt-vupt do 15ème, onde mora e trabalha, só pra tomar um café comigo. Além da cobertura internacional para a Rede Bandeirantes, ela também apresenta o Jornal Gente, transmitido pela Rádio Bandeirantes e pelo canal BandNews TV. E ainda comanda o programa de entrevistas Brasil com Z, na rádio e nas principais plataformas de áudio. Nessa trajetória de pesquisa de campo e jornalismo na veia, coleciona prêmios — nacionais e internacionais — como o Troféu Mulher Imprensa (cinco vezes!), o Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo, o Troféu Mídia da Paz e, mais recentemente, o The Winner Awards, pelo trabalho focado em geopolítica. Como todo bom jornalista, vive cercada de jornalistas (piadinha interna nossa — jornalistas entenderão). Que delícia conhecer essa paulistana — como eu — que, com o marido ao lado (e na retaguarda), toca praticamente sozinha toda uma cobertura internacional com tanto gás. Viva a Sonia. Viva o jornalismo brasileiro.
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