Boas práticas para o design de Interfaces Ubíquas

Boas práticas para o design de interfaces ubíquas10 diretrizes para guiar o desenvolvimento de experiências fluidas, intuitivas e invisíveis.Foto criada por FreepikSe você ainda não sabe o que são interfaces ubíquas, leia primeiro este artigo: “Interfaces ubíquas e o futuro da tecnologia invisível”.As interfaces ubíquas (UUI’s) já fazem parte do nosso dia a dia, presentes em assistentes virtuais como Alexa e Google Assistant, dispositivos vestíveis como smartwatches e óculos de realidade aumentada, interfaces gestuais em videogames e sistemas inteligentes em veículos autônomos. Essas tecnologias mostram como a interação entre humanos e máquinas está se tornando cada vez mais fluida, intuitiva e natural.Com os avanços recentes e a crescente disseminação de tecnologias baseadas em IA, é certo que, nos próximos anos, interagiremos ainda mais com diferentes interfaces ubíquas.Apesar da rápida evolução desse campo (e talvez até por conta disso), o design de interfaces ubíquas ainda carece de uma abordagem mais estruturada e aprofundada. Mesmo quando métodos já conhecidos são aplicados ao seu desenvolvimento, poucas diretrizes específicas estão consolidadas. Além disso, os estudos existentes costumam ser realizados de maneira isolada, sem que se tenha estabelecido, até o momento, processos amplamente utilizados.É relevante destacar a importância de metodologias e diretrizes bem definidas, que não apenas promovem o compartilhamento de conhecimento sobre soluções para desafios semelhantes, mas também ajudam a evitar possíveis erros, tornam o processo mais eficiente e fornecem um vocabulário comum, facilitando a comunicação entre especialistas.E foi exatamente esse contexto que me intrigou enquanto desenvolvia meu trabalho de conclusão na área de Design, em 2022. Quanto mais pesquisava e estudava, mais percebia a escassez de conhecimento disponível sobre essa temática. Foi daí que surgiu a pergunta que guiaria todo o meu trabalho:Quais são as boas práticas para o desenvolvimento de interfaces ubíquas?Temos muitos conteúdos e diretrizes para interfaces gráficas (GUIs), mas e para as UUIs? Quais seriam essas diretrizes?Para responder a essa pergunta, decidi analisar os principais conteúdos desenvolvidos pelas referências da área e realizar uma revisão sistemática da literatura (RSL), para entender o estado da arte dos métodos e processos de design para o desenvolvimento de interfaces ubíquas.Mas o que isso significou fazer uma RSL, na prática? Basicamente, estabeleci alguns critérios específicos, busquei todos os artigos existentes que se encaixavam nesses critérios e analisei como as interfaces ubíquas vêm sendo desenvolvidas.­Etapas do meu processo1. Critérios de busca:Defini os critérios para selecionar os artigos a serem analisados. Levei em conta a base de dados, acesso, tipo de documento, período, idioma, escopo e localização dos termos na string de busca.­2. Strings de busca:Defini as strings de busca a partir das palavras-chave do projeto. Separei as quatro principais como base (pilar) e usei as demais como complemento. Essas combinações resultaram em 15 strings.­3. Realização da pesquisa:Estabeleci 4 etapas para garantir que todos os critérios fossem contemplados e dessa maneira fui filtrando os artigos.Apesar de ter começado com 562 artigos, ao final apenas 4 foram selecionados, e identifiquei alguns motivos para isso:Aproximadamente 40% dos artigos encontrados no Google Acadêmico eram pagos, e cerca de 30% dos artigos no Portal de Periódicos da CAPES tinham links corrompidos.Em alguns casos, mesmo após a leitura do resumo, o conteúdo não ficava claro, seja pela brevidade do texto ou pela falta de explicação adequada.Grande parte dos artigos encontrados abordava apenas a parte técnica da computação ubíqua, sem qualquer envolvimento com design. Além disso, notei que os termos da string apareciam com frequência nas referências desses artigos, evidenciando que o design não era o foco.Os artigos utilizam diferentes nomenclaturas para se referir às interfaces ubíquas. Termos como interfaces multimodais, interfaces intangíveis e interfaces distribuídas foram encontrados associados à ubiquidade, reforçando minha hipótese de que ‘interfaces ubíquas’ ainda não é um termo totalmente disseminado.­4. Artigos selecionados:Os 4 artigos analisados de forma mais aprofundada foram:Analysis of Direction on Product Design in the Era of the Internet of ThingsUbiquitous Computing: Driving in the Intelligent EnvironmentDesigning a Tangible Tabletop Installation and Enacting a Socioenactive Experience with TangiTimeSmart Assistive Architecture for the Integration of IoT Devices, Robotic Systems, and Multimodal Interfaces in Healthcare Environment­Os artigos são muito interessantes, recomendo a leitura!10 diretrizes de boas práticas para o desenvolvimento de interfaces ubíquasCom base nos trabalhos de grandes referências da área, como Mark Weiser e Aaron Quigley, e em todo conhecimento adquirido durante a revisão sistemática da lit

Apr 3, 2025 - 10:40
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Boas práticas para o design de Interfaces Ubíquas

Boas práticas para o design de interfaces ubíquas

10 diretrizes para guiar o desenvolvimento de experiências fluidas, intuitivas e invisíveis.

Rosto de mulher sendo escaneado por uma interface ubíqua, com elementos gráficos digitais sobrepostos à sua face, indicando reconhecimento facial em 75%. Sugere interação invisível e contínua, integrando o mundo físico e virtual em um fundo tecnológico com luzes e hexágonos digitais.
Foto criada por Freepik
Se você ainda não sabe o que são interfaces ubíquas, leia primeiro este artigo: “Interfaces ubíquas e o futuro da tecnologia invisível”.

As interfaces ubíquas (UUI’s) já fazem parte do nosso dia a dia, presentes em assistentes virtuais como Alexa e Google Assistant, dispositivos vestíveis como smartwatches e óculos de realidade aumentada, interfaces gestuais em videogames e sistemas inteligentes em veículos autônomos. Essas tecnologias mostram como a interação entre humanos e máquinas está se tornando cada vez mais fluida, intuitiva e natural.

Com os avanços recentes e a crescente disseminação de tecnologias baseadas em IA, é certo que, nos próximos anos, interagiremos ainda mais com diferentes interfaces ubíquas.

Apesar da rápida evolução desse campo (e talvez até por conta disso), o design de interfaces ubíquas ainda carece de uma abordagem mais estruturada e aprofundada. Mesmo quando métodos já conhecidos são aplicados ao seu desenvolvimento, poucas diretrizes específicas estão consolidadas. Além disso, os estudos existentes costumam ser realizados de maneira isolada, sem que se tenha estabelecido, até o momento, processos amplamente utilizados.

É relevante destacar a importância de metodologias e diretrizes bem definidas, que não apenas promovem o compartilhamento de conhecimento sobre soluções para desafios semelhantes, mas também ajudam a evitar possíveis erros, tornam o processo mais eficiente e fornecem um vocabulário comum, facilitando a comunicação entre especialistas.

E foi exatamente esse contexto que me intrigou enquanto desenvolvia meu trabalho de conclusão na área de Design, em 2022. Quanto mais pesquisava e estudava, mais percebia a escassez de conhecimento disponível sobre essa temática. Foi daí que surgiu a pergunta que guiaria todo o meu trabalho:

Quais são as boas práticas para o desenvolvimento de interfaces ubíquas?

Temos muitos conteúdos e diretrizes para interfaces gráficas (GUIs), mas e para as UUIs? Quais seriam essas diretrizes?

Para responder a essa pergunta, decidi analisar os principais conteúdos desenvolvidos pelas referências da área e realizar uma revisão sistemática da literatura (RSL), para entender o estado da arte dos métodos e processos de design para o desenvolvimento de interfaces ubíquas.

Mas o que isso significou fazer uma RSL, na prática? Basicamente, estabeleci alguns critérios específicos, busquei todos os artigos existentes que se encaixavam nesses critérios e analisei como as interfaces ubíquas vêm sendo desenvolvidas.

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Etapas do meu processo

1. Critérios de busca:

Defini os critérios para selecionar os artigos a serem analisados. Levei em conta a base de dados, acesso, tipo de documento, período, idioma, escopo e localização dos termos na string de busca.

Tabela com critérios de inclusão e exclusão para uma Revisão Sistemática da Literatura (RSL). Os critérios de inclusão consideram fontes como Google Acadêmico, artigos de acesso livre, publicados entre 2018 e 2022, em português ou inglês, e que abordem métodos de design para interfaces ubíquas. Já os critérios de exclusão descartam outras bases de dados, trabalhos pagos, publicações com mais de 5 anos, em idiomas não dominados e pesquisas sem metodologia definida.

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2. Strings de busca:

Defini as strings de busca a partir das palavras-chave do projeto. Separei as quatro principais como base (pilar) e usei as demais como complemento. Essas combinações resultaram em 15 strings.

Tabela com a combinação de strings de busca. A coluna ‘Pilar’ contém termos principais como ‘interfaces ubíquas’, ‘ubiquitous user interface’ e ‘design methods’. A coluna ‘Complemento’ adiciona termos como ‘design’, ‘ubiquitous computing’ e ‘mobile computing’. A coluna ‘String Resultante’ mostra a junção desses termos, gerando 15 combinações usadas na pesquisa.

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3. Realização da pesquisa:

Estabeleci 4 etapas para garantir que todos os critérios fossem contemplados e dessa maneira fui filtrando os artigos.

Diagrama em formato de funil com quatro etapas da análise de artigos. Etapa 1: 562 artigos analisados com base em critérios gerais. Etapa 2: 247 artigos filtrados por escopo e localização dos termos. Etapa 3: 7 artigos avaliados pela introdução e conclusão. Etapa 4: 4 artigos selecionados após leitura completa, garantindo que atendem aos critérios para análise de boas práticas no desenvolvimento de interfaces ubíquas.

Apesar de ter começado com 562 artigos, ao final apenas 4 foram selecionados, e identifiquei alguns motivos para isso:

  • Aproximadamente 40% dos artigos encontrados no Google Acadêmico eram pagos, e cerca de 30% dos artigos no Portal de Periódicos da CAPES tinham links corrompidos.
  • Em alguns casos, mesmo após a leitura do resumo, o conteúdo não ficava claro, seja pela brevidade do texto ou pela falta de explicação adequada.
  • Grande parte dos artigos encontrados abordava apenas a parte técnica da computação ubíqua, sem qualquer envolvimento com design. Além disso, notei que os termos da string apareciam com frequência nas referências desses artigos, evidenciando que o design não era o foco.
  • Os artigos utilizam diferentes nomenclaturas para se referir às interfaces ubíquas. Termos como interfaces multimodais, interfaces intangíveis e interfaces distribuídas foram encontrados associados à ubiquidade, reforçando minha hipótese de que ‘interfaces ubíquas’ ainda não é um termo totalmente disseminado.

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4. Artigos selecionados:

Os 4 artigos analisados de forma mais aprofundada foram:

Os artigos são muito interessantes, recomendo a leitura!

10 diretrizes de boas práticas para o desenvolvimento de interfaces ubíquas

Com base nos trabalhos de grandes referências da área, como Mark Weiser e Aaron Quigley, e em todo conhecimento adquirido durante a revisão sistemática da literatura, formulei 10 diretrizes de boas práticas para ajudar designers no desenvolvimento de projetos de interfaces ubíquas.

Essas diretrizes não buscam indicar ferramentas ou métodos a serem seguidos, mas sim evidenciar pontos importantes que os designers precisam considerar desde o início da concepção do produto.

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1. Alinhamento da nomenclatura para a classificação do projeto

Ficou evidente que o termo interfaces ubíquas ainda não é amplamente disseminado nem totalmente compreendido. A complexidade desse tipo de interface também contribui para essa variedade de termos, pois elas abrangem diferentes tipos de interação e podem integrar múltiplas interfaces simultaneamente. Muitas vezes, a tecnologia principal ou aquela com maior interação acaba sendo priorizada, deixando de lado o cenário total que caracteriza a ubiquidade.

Então, definir e alinhar essa nomenclatura pode trazer grandes benefícios para o desenvolvimento de interfaces ubíquas, facilitando pesquisas, centralizando referências com características semelhantes e ampliando a base de conhecimento na área.

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2. Definir metodologias e processos de design

Interfaces ubíquas são complexas e proporcionam experiências que, em muitos casos, ainda parecem “à frente de seu tempo”. Por isso, é fundamental escolher metodologias ou processos de design que se adaptem a produtos com múltiplas interfaces, para que guiem o desenvolvimento do projeto.

Quando se trata de interfaces ubíquas, há também a necessidade do pensamento do designer sobre os artefatos físicos. Isso torna essencial a adoção de metodologias e processos que permitam um pensamento sistêmico, integrando o desenvolvimento de elementos físicos e digitais de forma simultânea.

As pesquisas analisadas na revisão sistemática demonstraram que processos de design bem estruturados levaram a resultados mais assertivos.

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3. Multidisciplinaridade na equipe envolvida

A maioria das experiências ubíquas envolvem várias tecnologias, diferentes pontos de contato com os usuários e necessitam de artefatos físicos e digitais. Equilibrar esses pontos para obter uma experiência que satisfaça as características da ubiquidade é um grande desafio.

Por isso, é essencial que a equipe seja multidisciplinar. As áreas de atuação dos profissionais envolvidos dependerão das especificidades do produto, garantindo que todas as necessidades do projeto sejam contempladas de forma integrada.

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4. Entendimento do contexto

A revisão sistemática mostrou que, em sistemas ubíquos, essa etapa exige atenção extra, pois envolve múltiplos dispositivos, sensores, pontos de contato, interfaces e usuários.

Definir os objetivos do projeto com clareza é essencial para garantir que o produto faça sentido para o público-alvo, assim como mapear cenários e estruturar bem a arquitetura da informação.

Além disso, é fundamental considerar, desde o início do projeto, as principais características das interfaces ubíquas. Isso contribui para uma experiência fluida, livre de distrações e alinhada ao conceito de experiência feliz e calma, definido por Aaron Quigley.

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5. Privacidade e segurança da informação

Em sistemas ubíquos, onde grandes volumes de dados são constantemente coletados e analisados, é essencial garantir dois aspectos fundamentais: a privacidade do usuário e a segurança dos dados.

No que diz respeito à privacidade, é importante analisar o objetivo do produto em contraste com os dados que serão coletados, o motivo dessa coleta e com quem ou com que sistema serão compartilhadas essas informações. Refletir sobre essas questões ajuda a evitar a coleta e o uso desnecessário de dados.

Já a segurança diz respeito à proteção das informações transmitidas pelo sistema. Reforçar as barreiras de segurança, especialmente contra invasões e vazamento de dados, é crucial. Negligenciar essa etapa pode resultar em consequências graves, incluindo ações jurídicas.

Além disso, é fundamental que o usuário tenha ciência dessas definições. Manter princípios éticos e um compromisso com a transparência ajuda a garantir que a privacidade não seja comprometida pela onipresença da tecnologia.

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6. Prototipação incremental mínima

Diferente de outros tipos de sistemas, onde muitas vezes se prototipa apenas um artefato, no caso das interfaces ubíquas é essencial integrar todos os componentes do sistema, como hardwares, softwares, diferentes interfaces, estrutura física, materiais utilizados, ergonomia, experiência e comportamento.

Os artigos analisados na revisão sistemática indicaram uma tendência a focar principalmente no cenário ubíquo durante a prototipação, entendendo que essa experiência é essencial para o sucesso do produto. No entanto, não ficou claro se foram desenvolvidos múltiplos protótipos com diferentes níveis de fidelidade ao longo dessa etapa.

Dado o grande número de componentes que compõem os sistemas ubíquos e sua interdependência, uma abordagem interessante seria adotar uma prototipação incremental de experiência. O processo começaria com o desenvolvimento de um conjunto mínimo de elementos capaz de gerar uma experiência básica. A partir da validação dessa primeira versão, a complexidade seria gradualmente aumentada.

Assim, o protótipo vai evoluindo de forma que permita uma análise contínua da experiência e garantindo que ela atenda aos requisitos das interfaces ubíquas.

Em outras palavras, não adianta incluir sensores, microcontroladores, interação por voz, gestos e reconhecimento facial se, na prática, esses componentes não funcionam adequadamente ou acabam dificultando a interação dos usuários.

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7. Boa experiência em todos os pontos de contato

A revisão da literatura mostrou que a ubiquidade estimula o uso de diferentes sentidos na interação, permitindo que os usuários compreendam e utilizem melhor os elementos da interface. Isso ocorre porque a combinação de múltiplas formas de interação (percepções multimodais) torna as funções do sistema mais claras (affordances), aumentando o engajamento dos usuários.

Essa premissa reforça a importância de proporcionar uma boa experiência em todas as interações que uma interface ubíqua pode oferecer.

Dessa forma, em complemento à diretriz anterior, já existe um vasto conhecimento consolidado sobre guidelines, heurísticas, métodos, princípios de design e leis da psicologia aplicados à experiência do usuário. Mapear os possíveis cenários de interação e aplicar esses conhecimentos de acordo com o contexto pode ser um grande diferencial na prototipação.

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8. Teste de componentes

O principal objetivo dos testes de componentes é analisar o funcionamento de todos os elementos envolvidos, verificando se estão de acordo com o que foi projetado e esperado.

Na revisão sistemática, foi possível observar divergências no processo de testes adotado nos artigos analisados. Em um deles, os componentes foram testados individualmente antes da avaliação do sistema completo, que ocorreu em um ambiente controlado com um especialista. Já outro estudo seguiu o caminho oposto, testando primeiro o sistema completo em versão beta com uma amostra reduzida e fora do público-alvo, para depois realizar testes com usuários reais.

Ambas as abordagens trouxeram valor ao processo, por isso o ideal seria combiná-las em dois passos:

  1. Testes por componentes: realizados individualmente para verificar seu funcionamento. Esse teste pode ocorrer diversas vezes ao final da inclusão de cada novo elemento. Caso algum componente apresente problemas, ele pode ser facilmente identificado e ajustado.
  2. Testes com o sistema completo: realizados após a integração de todos os componentes para avaliar o desempenho geral. Pode ser conduzido por uma equipe interna do projeto ou por um especialista, que analisará a usabilidade do sistema com base em diretrizes específicas para cada interação definida.

De forma geral, ambos os testes pretendem analisar a experiência do usuário e identificar pontos de melhoria.

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9. Teste com usuários

Os testes com usuários têm como principal objetivo analisar a experiência de uso do sistema e como ele é percebido pelos usuários.

Com base nos testes descritos nos artigos da revisão sistemática, recomenda-se realizá-los em dois passos:

  1. Teste beta: ocorre antes dos testes oficiais para validar interações, instalações e o roteiro da avaliação com o usuário final. Isso garante que a próxima etapa aconteça conforme planejado.
  2. Teste com usuário: realizado, de preferência, com usuários finais, dentro de uma amostra heterogênea e no cenário real de uso. É essencial definir objetivos claros, questões a serem respondidas e expectativas sobre os resultados. Esses critérios ajudam a organizar o roteiro dos testes.
Considerando que uma das principais características dos sistemas ubíquos é serem intuitivos e quase invisíveis, quanto menor a necessidade de intervenção, condução ou explicação durante essa etapa, melhor.

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10. Documentação

Por fim, mas não menos importante, é fundamental que mais pesquisas sobre interfaces ubíquas sejam documentadas. Isso contribui para a disseminação do conhecimento na área e amplia as referências disponíveis.

Quanto mais documentação de acesso livre for produzida, mais próximos estaremos de estabelecer métodos e processos bem definidos para o desenvolvimento de interfaces ubíquas.

Diretrizes resumidas

1. Alinhamento da nomenclatura para a classificação do projeto: certifique-se de que o projeto é identificado como interface ubíqua para facilitar pesquisas e referências.

2. Definir metodologias e processos de design: escolha metodologias adequadas para múltiplas interfaces, considerando a integração de elementos físicos e digitais.

3. Multidisciplinaridade na equipe envolvida: envolva profissionais multidisciplinares para dar suporte a diferentes tecnologias, pontos de contato com os usuários e artefatos físicos e digitais.

4. Entendimento do contexto: dê bastante atenção para a definição dos objetivos de projeto, mapeamento de cenários e estruturação da arquitetura da informação. Não se esqueça de considerar as principais características das UUIs desde o início.

5. Privacidade e segurança da informação: defina com responsabilidade os dados a serem coletados e evite coleta e uso desnecessários. Deixe o usuário ciente das condições da coleta e reforce a segurança desses dados.

6. Prototipação incremental mínima: comece o desenvolvimento de um conjunto mínimo de elementos capaz de gerar uma experiência básica. A partir da validação dessa primeira versão, aumente a complexidade gradualmente.

7. Boa experiência em todos os pontos de contato: mapeie os possíveis cenários de interação e aplique diretrizes já consolidadas para uma boa experiência do usuário: métodos, princípios de design e leis da psicologia.

8. Teste de componentes: realize testes por componentes de forma individual, para verificar seu funcionamento, e realize testes com o sistema completo após a integração de todos os componentes para avaliar o desempenho geral.

9. Testes com usuários: realize testes betas para validar interações, instalações e o roteiro da análise e realize testes com usuário final definindo objetivos claros, questões a serem respondidas e expectativas sobre os resultados.

10. Documentação: registre o projeto e os aprendizados para contribuir com o conhecimento sobre interfaces ubíquas.

Fez sentido para você? Vou adorar saber suas percepções e te ajudar em qualquer dúvida que apareça!