Muso, de Demolidor: Renascido e os vilões desperdiçados do MCU
Personagem se junta a lista – nada desejável – as piores adaptações de vilões. O post Muso, de Demolidor: Renascido e os vilões desperdiçados do MCU apareceu primeiro em Observatório do Cinema.


A Marvel Studios se consolidou como uma das maiores forças do entretenimento, mas se tem algo que o estúdio ainda não conseguiu dominar por completo é a construção de bons vilões. Ao longo dos anos, diversos antagonistas promissores foram deixados de lado ou mal aproveitados, criando um histórico de oportunidades perdidas que ainda incomodam boa parte dos fãs.
Embora alguns nomes como Thanos e Loki tenham recebido o devido tratamento, a lista de vilões subaproveitados cresce a cada nova fase do MCU. Com a chegada de Demolidor: Renascido, mais um nome entrou para esse grupo.
A seguir, relembramos alguns desses personagens que poderiam ter marcado época, mas acabaram se tornando apenas notas de rodapé.
Muso – Demolidor: Renascido
Nos quadrinhos, Muso é um dos vilões mais perturbadores que já enfrentaram Matt Murdock. Com aparência sinistra, poderes que distorcem a percepção sensorial e um gosto macabro por transformar corpos em “arte”, ele foi apresentado como uma verdadeira força do caos – e da psicopatia. Criado na fase de Charles Soule, o personagem parecia perfeito para uma adaptação impactante, levando Matt Murdock ao seu extremo.
Na série do Disney+, no entanto, Muso foi reduzido a um antagonista com motivações rasas e final apressado. O personagem perdeu o mistério e a ameaça que possui nos quadrinhos, sendo tranformado em apenas mais um assassino qualquer, sem explorar suas habilidades ou sua importância como reflexo distorcido do próprio Demolidor.
Para quem esperava ver o vilão como uma grande promessa do universo, se tornando um antagonista sem prescedentes, o 7º episódio da série foi um verdadeiro banho de água fria.
Ronan, o Acusador – Guardiões da Galáxia
Nos gibis, Ronan é parte importante da mitologia kree, funcionando ora como inimigo, ora como aliado dos heróis. Ele é um personagem de moral ambígua, fiel a seus códigos e com potencial para provocar dilemas sobre justiça e lealdade.
Em Guardiões da Galáxia, ele aparece como um vilão unidimensional que deseja destruir Xandar por vingança. Seu papel é funcional para a trama, mas distante da complexidade que poderia ter. No final, acaba sendo mais um obstáculo superado com música e dança.
Kro – Eternos
Kro, nos quadrinhos, é um desviante com histórico de rivalidade com os Eternos, além de uma complexa relação com Thena. Ele é uma figura inteligente, articulada e que representa uma visão divergente sobre os rumos da existência e do papel dos deuses na Terra.
No filme, porém, Kro mal aparece. Sua conexão com Thena é apenas sugerida, e sua trajetória é interrompida de forma repentina, desperdiçando qualquer chance de aprofundar o personagem. Um antagonista com potencial para ser trágico e memorável virou apenas um obstáculo passageiro.
Taskmaster – Viúva Negra
Taskmaster sempre foi uma figura ameaçadora nos quadrinhos, conhecido por sua habilidade de copiar com perfeição qualquer estilo de luta. Além disso, sua presença como mercenário recorrente o tornou um vilão carismático e temido.
Em sua aparição em Viúva Negra, porém, o personagem é privado de qualquer personalidade. Transformado em uma criação silenciosa e controlada por terceiros, o vilão não tem voz nem motivação própria. Sua presença é mais estética do que narrativa.
Gorr – Thor: Amor e Trovão
Interpretado por Christian Bale, Gorr tinha tudo para ser um dos grandes vilões do MCU. Nos quadrinhos, ele é um caçador de deuses que representa uma das ameaças mais filosóficas e sombrias já enfrentadas por Thor. Seu arco nos gibis explora temas como perda da fé e vingança contra o divino, e sua mera presença é suficiente para aterrorizar todos a sua volta.
Em Thor: Amor e Trovão, sua participação é reduzida a alguns momentos impactantes, mas sem o devido espaço para construir a tensão e a complexidade de seu personagem. Sua missão é apressada, seu plano mal desenvolvido, e mesmo com Bale em cena, Gorr acaba sendo apenas mais um vilão esquecível do MCU.
Mandarim – Homem de Ferro 3
Aqui, enfim, chegamos a um ponto crítico. O Mandarim se tornou um dos primeiros e maiores traumas causados pelo MCU para os fãs de quadrinhos. O personagem, que nas revistinhas ilustradas da Marvel Comics é um dos maiores rivais do Homem de Ferro – um gênio com poderes místicos oriundos de dez anéis alienígenas – foi reduzido a uma piada em Homem de Ferro 3.
A reviravolta que revelou que o Mandarim era apenas um ator contratado dividiu opiniões e frustrou quem esperava um antagonista digno da mitologia do herói. Anos depois, o MCU tentou corrigir isso com Shang-Chi, mas o estrago já estava feito.
Um histórico que precisa mudar
O MCU tem um acervo imenso de vilões fascinantes, mas segue insistindo em desperdiçá-los com aparições rasas e mal desenvolvidas. Se continuar nesse caminho, a Marvel corre o risco de esgotar suas melhores cartas e transformar antagonistas memoráveis em participações decepcionantes.
Mais do que nunca, é hora do estúdio repensar suas escolhas e tratar esses personagens com o peso e a importância que eles têm nos quadrinhos – afinal, é esse apelo que movimenta os fãs para verem as adaptações.
Caso contrário, a Marvel corre o risco de perder aqueles que são o publico mais fiel. Esses erros eram pequenos diante de um cenário com grandes histórias, mas agora, no momento de maior crise do estúdio onde nem mesmo as prórpias histórias se sustentam, surge a necessidade de que as escolhas sejam feitas com mais carinho e cautela.
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