Jason Statham adquiriu o hábito cinematográfico mais irritante de Sylvester Stallone

Mesmo sendo os maiores nomes dos filmes de ação, nem todas as escolhas são as melhores. O post Jason Statham adquiriu o hábito cinematográfico mais irritante de Sylvester Stallone apareceu primeiro em Observatório do Cinema.

Apr 3, 2025 - 22:53
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Jason Statham adquiriu o hábito cinematográfico mais irritante de Sylvester Stallone
Jason Statham e Sylvester Stallone em Os Mercenários 4
Jason Statham e Sylvester Stallone em Os Mercenários 4

Algumas escolhas criativas no cinema podem parecer sutilmente recorrentes, mas, com o tempo, acabam se tornando marcas registradas de certos atores, seja por uma postura corporal, uma entonação de voz ou o tipo de papel que costumam interpretar.

No caso de Sylvester Stallone, uma decisão narrativa se transformou em um padrão que ele leva a sério desde o fim da década de 70. Agora, esse mesmo costume parece ter sido absorvido por Jason Statham, parceiro de Stallone em Os Mercenários e um dos principais nomes do cinema de ação.

A prática em questão não tem nada a ver com explosões ou artes marciais. Estamos falando de algo muito mais específico: a recusa em morrer nos filmes em que protagoniza.

Curiosamente, Statham não tem uma cena de morte desde 2007, quando seu personagem foi eliminado no final do longa Guerra. Desde então, sua filmografia cresceu em ritmo acelerado, mas seus papéis mantêm uma resistência quase inquebrável, mesmo frente a desafios que parecem impossíveis de superar

A influência de Stallone nisso é evidente. Em um documentário da Netflix, o astro revelou que sua aversão a finais trágicos vem desde o filme “F.I.S.T.”, quando seu personagem foi morto contra sua vontade criativa. Desde então, Sly evita cenas de morte a qualquer custo, mesmo em produções mais sombrias.

Um padrão que se repete

Statham parece ter adotado essa filosofia como parte do seu pacote de estrela de ação. E isso se intensificou após sua participação em Os Mercenários, quando se consolidou como herdeiro direto do legado de Stallone. Desde então, seus personagens seguem uma cartilha quase imutável: sarcásticos, habilidosos e, acima de tudo, invencíveis.

Mesmo filmes com tons mais sérios, como Redenção ou 13, optaram por não dar desfechos mais duros aos seus protagonistas, e quando um filme parecia se encaminhar para um final trágico, como Assassino a Preço Fixo, ele sobrevive na cena final.

O problema não está exatamente na sobrevivência dos personagens, mas na previsibilidade que isso gera. Ao se tornar uma constante, a invulnerabilidade de Statham acaba esvaziando a tensão de certos enredos. Em gêneros como o terror ou o suspense, por exemplo, saber que o protagonista não vai morrer enfraquece a construção dramática.

Seus filmes, em sua maioria, são feitos para o grande público e evitam desfechos amargos, mas essa segurança criativa limita possibilidades. Um arco de redenção que termina com a morte de um personagem pode ser mais marcante do que uma sobrevida sem consequências. Isso não significa que todo filme precise acabar mal, mas sim que finais previsíveis tendem a perder impacto.

Introduzir vulnerabilidades, mesmo que pequenas, pode tornar seus personagens mais interessantes. Eles não precisam ser infalíveis. Pelo contrário, é nos momentos de fraqueza que se revelam as camadas mais humanas e memoráveis de um herói de ação. Até agora, no entanto, nem Stallone nem Statham parecem dispostos a abrir mão dessa “cláusula” de sobrevivência. Mas talvez seja hora de repensar esse pacto não escrito.

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