Inteligência Artificial e educação sexual: como o futuro pode ajudar as mulheres?

Iniciativas de empresas, avanços da tecnologia e ações governamentais expandem o conhecimento sobre o tema para as mulheres

Apr 1, 2025 - 21:47
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Inteligência Artificial e educação sexual: como o futuro pode ajudar as mulheres?

Nos últimos anos, muito se tem falado sobre os progressos da Inteligência Artificial (IA) e da tecnologia em diversos setores, incluindo a educação sexual. Essa evolução tem facilitado o acesso à informação para mulheres de diferentes origens e regiões, possibilitando um conhecimento que antes lhes era amplamente negado.

Sexualidade feminina foi censurada por séculos

“Por séculos, a sexualidade feminina foi controlada por um sistema patriarcal que nos silenciou de diversas maneiras, inclusive na intimidade. O acesso à educação sexual, quando ocorre, frequentemente aborda de forma superficial apenas os aspectos biológicos da sexualidade, como doenças e gravidez, devido a fatores sociais, culturais e religiosos. Essa abordagem rasa impede o debate aberto sobre o tema em escolas e comunidades, contribuindo para a perpetuação de tabus”, avalia a sexóloga Chris Marcello.

Problema é maior em áreas rurais

Em áreas rurais, a desinformação sobre saúde sexual e reprodutiva tende a ser ainda maior, mesmo com ações governamentais como a distribuição de cartilhas e programas. Isso reforça a importância da tecnologia e das redes sociais para que as informações circulem de forma mais aberta e inclusiva.

Como a IA entra como aliada na educação em sexualidade

“A Inteligência Artificial (IA) e as tecnologias digitais têm se mostrado ferramentas poderosas para superar barreiras culturais e geográficas, promovendo uma educação sexual mais acessível e informativa. Elas permitem a personalização do aprendizado, oferecendo conteúdos adaptados às necessidades de cada indivíduo, como, por exemplo, pessoas LGBTQIA+, mulheres em áreas rurais, pessoas com deficiência, entre outros grupos marginalizados, de forma acolhedora”, avalia a CEO da ItSophie, marca de produtos de autocuidado e bem-estar sexual.

Quais ferramentas de IA podem ser usadas na vida sexual?

Chris cita aplicativos baseados em IA, como Flo Clue, como fontes de informações confiáveis sobre saúde sexual, métodos contraceptivos e prevenção de doenças, além de plataformas como o WebEducaçãoSexual, que utilizam tecnologias digitais na modalidade de Ensino à Distância (EAD) para formar professores e profissionais da educação sobre temas como diversidade sexual, relações de gênero e violência sexual. 

“O OlimpIA, por exemplo, é um aplicativo que utiliza inteligência artificial para oferecer suporte anônimo e seguro a vítimas de violência sexual digital. Embora seu foco principal seja o apoio emocional e jurídico, ele também cria um espaço seguro para discussões sensíveis, promovendo o diálogo de forma confidencial”, explica.

Tendências de IA em Educação Sexual

“Outro benefício significativo da IA é a sua capacidade de realizar análises de dados e tendências sobre questões de saúde sexual. Isso permite identificar padrões e informar políticas públicas e programas educativos que atendam às necessidades específicas de diferentes comunidades”, continua a sexóloga.

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Empresas e instituições vem adotando chatbots educativos para fornecer informações rápidas e confiáveis sobre saúde sexual e reprodutiva, enquanto garantem o anonimato.

O que vem por aí?

O conceito de Digissexualidades“, que explora a interseção entre sexualidade e tecnologia, vai avançar. Além da onda já em curso, com aplicativos e plataformas online para facilitar discussões e promover acesso à educação sexual, a segunda onda vai incorporar IA e robótica para criar interações personalizadas e experiências imersivas, como robôs sociais e assistentes virtuais, prevê Chris.

Ainda de acordo com a especialista, existem iniciativas como a da Share Your Sex, que desenvolveu um sistema de automação, robôs e agentes de IA para empresas do setor de bem-estar sexual. Essa tecnologia é usada para agilizar tarefas operacionais e repetitivas, como a criação de conteúdo de qualidade, gestão de comunidades e atendimento ao cliente.

“No âmbito público, o Ministério da Saúde lançou a cartilha digital ‘Caminhos para a Construção de uma Educação Sexual Transformadora’, que, embora eu saiba que não é exclusivamente baseada em IA, utiliza tecnologias digitais para promover debates sobre temas como diversidade sexual, desigualdade de gênero e direitos reprodutivos”, afirma.

IA integrada a plataformas de telemedicina

Algumas empresas privadas têm integrado IA em plataformas de telemedicina para oferecer consultas e orientações sobre saúde sexual e reprodutiva, garantindo suporte profissional, segurança e confidencialidade.

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Além disso, mesmo que você não perceba, a Inteligência Artificial já é utilizada por meio de algoritmos que influenciam o tipo de material exibido para você, como vídeos, artigos ou interações nas redes sociais.

“A transformação cultural necessária para acompanhar esses avanços é um processo lento e desafiador, sendo, muitas vezes, o maior obstáculo para o uso pleno dessas ferramentas. Reconhecer a necessidade de nos capacitar para viver e abordar a sexualidade de forma natural e saudável é o primeiro passo para a construção de um conhecimento mais ético e inclusivo”, finaliza.

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