Devil May Cry: Adaptação na Netflix é fiel aos games?
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Quando a Netflix anunciou que estava produzindo uma série animada baseada em Devil May Cry, muita gente ficou empolgada, e com razão. Afinal, estamos falando de uma das franquias mais estilizadas, queridas e insanas do universo dos games. Mas junto com a empolgação veio o medo: será que a adaptação ia fazer jus ao legado de Dante e companhia ou seria só mais uma tentativa sem alma de surfar no sucesso dos jogos?
A boa notícia: Devil May Cry da Netflix não é uma cópia barata dos jogos. A má notícia (ou não): também não é uma adaptação 100% fiel. O que ela é, na verdade, é um novo olhar sobre um universo que a gente já conhece. E se você é fã da saga, prepare-se, porque tem muita coisa que vai fazer você sorrir, outras que talvez façam você levantar uma sobrancelha… mas, no geral, dá para dizer que o inferno nunca foi tão interessante.

Liberdade criativa com cheiro de familiaridade
Logo de cara, dá para perceber que a série não está preocupada em seguir à risca os eventos dos jogos. Esquece aquela ideia de ver uma reprodução quadro a quadro de Devil May Cry 3 ou 4. O que a Netflix faz aqui é criar uma história original dentro do mesmo universo, com personagens que a gente já conhece, e outros que quase ninguém esperava ver em destaque.
O maior exemplo disso é o vilão White Rabbit. Nos games, esse personagem tem origem em um mangá derivado e nunca foi exatamente relevante. Mas na série, ele assume o papel de grande antagonista, manipulando eventos e colocando Dante e Vergil em rota de colisão. Ele é carismático, ameaçador, teatral, exatamente o tipo de vilão que funciona bem em uma animação com esse estilo gótico e acelerado.
E não para por aí. A série também mexe nas relações familiares, aprofundando o passado de Dante com sua mãe, Eva. Nos jogos, essa figura é quase simbólica, mencionada aqui e ali, sempre como a origem do trauma dos irmãos. Mas na série, Eva aparece com mais peso emocional. Dante, inclusive, carrega um medalhão com a imagem dela e vive atormentado por memórias e culpas. É uma camada emocional que a gente não vê nos jogos, e que surpreende positivamente.

Dante continua o mesmo
Mas calma, nem tudo foi reinventado. Se tem uma coisa que a série acerta em cheio, é em manter a essência dos personagens principais. Dante continua sendo aquele cara sarcástico, autoconfiante, debochado e absurdamente estiloso, exatamente como nos games. A diferença é que agora a gente vê também um lado mais introspectivo, algo que só enriquece a construção do personagem.
Vergil também retorna com sua postura fria e obcecada por poder. O contraste entre os irmãos está mais afiado do que nunca. Enquanto Dante age por impulso e coração, Vergil é estratégia pura, sempre um passo à frente. E Lady? Ela aparece com seu arsenal pesado, sua frieza profissional e aquele senso de justiça que desafia até mesmo as ordens superiores. Sim, os fãs vão reconhecer todos os trejeitos dela.
Essa fidelidade nas personalidades ajuda a série a se ancorar no material original, mesmo quando a história toma caminhos novos. Dá aquela sensação de estar vendo algo familiar, mesmo quando o cenário muda.

O estilo de combate que virou marca registrada
Se você veio por causa da ação, pode respirar aliviado: a série entrega. E entrega muito. A coreografia das lutas é de cair o queixo, com movimentos impossíveis, efeitos de câmera dignos de combo em SSS e a clássica mistura de espada e armas de fogo que todo fã espera ver em Devil May Cry.
Dante atira enquanto gira no ar, corta demônios em câmera lenta e ainda solta uma frase de efeito no meio da pancadaria. É fan service puro, mas do bom. E não é só estética: os combates têm peso, ritmo e são construídos de forma que cada batalha parece importante para a trama. Nada ali é jogado.
Quem já zerou qualquer jogo da franquia vai pescar as referências visuais nos mínimos detalhes. Desde o jeito como ele segura a Rebellion até o disparo das pistolas Ebony & Ivory, tudo foi pensado para respeitar a mitologia criada lá em 2001.

Trilha sonora: um detalhe que pode dividir opiniões
Agora, aqui vem um ponto que pode causar certa controvérsia. A trilha sonora da série é bem diferente da dos jogos. Enquanto nos games temos faixas originais, pesadas, com aquela pegada de metal e eletrônico que virou assinatura da franquia, na animação a Netflix optou por algo mais nostálgico: músicas conhecidas dos anos 2000, como “Rollin’” do Limp Bizkit.
É uma escolha ousada, que tenta capturar o espírito da época em que os jogos estouraram. Mas pode parecer um pouco deslocada para quem esperava uma trilha inédita e mais sombria. A boa notícia? Mesmo com essa mudança, a música não atrapalha o clima da série. Pelo contrário, ela ajuda a construir uma identidade própria, e pode até arrancar um sorriso de quem viveu a era PS2 na pele.

Afinal, a série é fiel aos games?
A resposta curta seria: em espírito, sim. No roteiro, não tanto. Mas a real é que a adaptação da Netflix faz o que toda boa adaptação deveria fazer: respeita a essência do material original, mas tem coragem de criar algo novo.
Os fãs vão reconhecer o DNA de Devil May Cry em cada episódio. Os personagens continuam sendo quem sempre foram. As lutas continuam espetaculares. A estética continua gótica, estilosa e carregada de atitude. Mas a história… bom, ela pega outro caminho. E isso é bom.
Porque ao invés de tentar competir com os jogos, a série complementa o universo. Ela oferece novas visões, novos conflitos e novas emoções. E isso, para quem ama esse mundo desde a primeira vez que invocou a espada Sparda, é mais do que suficiente.
Os 8 episódios de Devil May Cry estão disponíveis na Netflix.
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