Gira estão a chegar à Ajuda, mas presidente diz que “ninguém lhes perguntou nada”
“A população tem de ser envolvida” no planeamento das Gira, defende Jorge Marques. Já em Alcântara, Câmara retirou estação que havia sido instalada em lugares de estacionamento.


Um certo alarido montou-se esta semana, na sequência dos comunicados de duas juntas de freguesia, a da Ajuda e a de Alcântara, sobre a instalação de estações Gira nos seus territórios. Os dois organismos alegam que a escolha das localizações aconteceu sem consulta prévia e que o planeamento da rede de bicicletas partilhadas deve ser feito em articulação com a população. Mas há mais: a ocupação de lugares de estacionamento.
A Ajuda, que é a única freguesia da cidade ainda fora da rede Gira, informa pelas redes sociais que "não foi envolvida no processo de instalação do sistema de bicicletas partilhadas Gira na freguesia". "Desconhecemos os critérios que levaram à escolha dos locais exactos onde irão ser implantadas as novas estações pela Emel e lamentamos que esta intervenção da Câmara Municipal de Lisboa (CML) esteja a ser realizada sem qualquer articulação com a Junta de Freguesia", acrescentam.
Na fotografia publicada, do Pólo Universitário da Ajuda (para onde estão programadas três estações Gira), pode ver-se a nova estação ocupando antigos lugares de estacionamento automóvel. Mas Jorge Marques garante à Time Out que a perda de lugares de estacionamento, em si, não é o problema. "O problema é que não faço ideia do planeamento das Gira. As pessoas não podem ser surpreendidas uma manhã com uma estação à porta. Ninguém lhes perguntou nada e é o seu território. Se se fizer isto contra a população, nunca será o melhor caminho. Simplesmente gostávamos de ser ouvidos", detalha o responsável. Mostrando que a sua junta de freguesia é a favor da mobilidade suave, Jorge Marques refere como o organismo tem investido no tema, nomeadamente com a criação do Biklas Park, estacionamento seguro para bicicletas, no Mercado da Ajuda, em Janeiro deste ano.
Em detalhe, o Lisboa Para Pessoas (LPP) explica que duas das três estações Gira que estão a ser montadas no Pólo Universitário da Ajuda ocupam área pedonal, "mas ao lado do ISCSP, uma estação com 27 docas veio substituir seis a oito lugares de estacionamento". É essa que a Junta mostra nas redes sociais. "A estação criticada pela Junta da Ajuda está praticamente concluída, estando já a ser feitas as instalações eléctricas, tornando praticamente inviável qualquer deslocalização nesta fase", dá conta o mesmo órgão.
A JFA afirma, no entanto, ter pedido esclarecimentos à CML e não mostra dúvidas de que os próximos passos serão de diálogo. "Fomos contactados pelo vereador [da Mobilidade, Filipe Anacoreta Correia] e a Câmara mostrou-se disponível para conversar. A nossa única questão é que a população tem de ser envolvida e não tenho dúvidas de que isto não terá passado de má comunicação. Estamos no bom caminho", garante Jorge Marques.
Questionado pela Time Out sobre quais seriam as localizações ideais para as estações Gira na Ajuda, o presidente da Junta afirma que "cada caso é um caso", apontando para a importância das especificidades de cada local (se é em frente a um estabelecimento comercial, por exemplo), mas "as zonas mais interessantes seriam as mais densas, onde a actividade comercial é maior", como são as zonas da Memória e da Boa-Hora. Mas o Pólo Universitário da Ajuda, onde estudam cerca de 9000 alunos, é igualmente assinalado pelo responsável.
Em Alcântara, Câmara volta atrás e retira estação
